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Dr. Alexandre Lobel
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Tenho ciclo menstrual irregular: posso engravidar?

por Alexandre Lobel

Muitas mulheres fazem essa pergunta para mim no consultório e nas redes sociais. Por isso, achei importante fazer um texto para elucidar a questão! É uma dúvida bastante comum.

Para responder, é importante saber que o ciclo menstrual feminino é dividido em três fases: folicular, ovulação e lútea, reguladas pela ação de diferentes hormônios e geralmente tem a duração de 28 dias.

Na fase folicular, vários folículos são recrutados e, na maioria dos casos, um se desenvolve, amadurece e ovula. A ovulação, como o nome indica, marca o momento em que ocorre a liberação do óvulo.

Em seguida, na fase lútea, o folículo que liberou o óvulo se transforma em corpo lúteo, atuando na transformação final do endométrio: quando a fecundação não acontece ele descama provocando a menstruação. A fase lútea dura, portanto, até o 28ª dia.

O funcionamento correto das três fases é fundamental para que a gravidez aconteça. Explico para você, neste texto, em detalhes o porquê de as irregularidades ocorrerem e como elas dificultam a gravidez, indicando a solução para o problema. Continue a leitura e saiba mais!

Ciclos regulares X ciclos irregulares

Os ciclos, em média, duram 28 dias e podem ser um pouco mais curtos ou longos: por exemplo de 21 dias ou de 35 dias, desde que ocorram em um mesmo intervalo. Já os ciclos irregulares estão continuamente fora dos intervalos normais, geralmente mais longos.

Os ciclos menstruais irregulares têm como característica a diminuição ou o aumento de fluxo durante o período menstrual ou ausência de menstruação, além da manifestação de cólicas mais severas.

São consequência principalmente de alterações nos níveis dos hormônios reprodutivos, provocados por diferentes condições.

Os principais hormônios envolvidos no processo reprodutivo são o estradiol e a progesterona, os hormônios produzidos pelos ovários, as gonadotrofinas FSH (hormônio folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante), que regulam a atividade dos ovários e são produzidos pela hipófise. Essa parte do cérebro também é responsável pela liberação dos hormônios tireoidianos.

Dessa forma, distúrbios da tireoide, na hipófise ou ovários (como a síndrome dos ovários policísticos – SOP), podem alterar os níveis hormonais resultando em irregularidades no ciclo menstrual.

Algumas doenças femininas, incluindo a endometriose, adenomiose e miomas, também podem provocar anormalidades uterinas e interferir no ciclo menstrual, causando sangramento no meio do ciclo.

As alterações hormonais são comuns durante a transição para a menopausa, quando há falência na função dos ovários. Da mesma forma podem ser consequência de uma condição chamada falência ovariana prematura (FOP), na qual os sintomas da menopausa manifestam antes dos 40 anos.

A FOP pode resultar de doenças genéticas, como a síndrome de Turner, ou da quimioterapia, tratamento para o câncer, por exemplo.

As irregularidades podem ser provocadas, ao mesmo tempo, pela prática excessiva de exercício, que leva à interrupção da menstruação, assim como as alterações de peso; por transtornos alimentares, como a anorexia ou obesidade, pelo estresse e transtornos emocionais, entre eles ansiedade e depressão, que interferem na produção dos hormônios ovarianos.

Quais são os problemas provocados por um ciclo menstrual irregular?

As irregularidades resultam em distúrbios de ovulação, considerados a causa mais comum de infertilidade feminina.

Podem, por exemplo, causar dificuldades para o desenvolvimento e amadurecimento do folículo durante a fase folicular ou interferir no rompimento dele, levando a falhas na ovulação, chamada anovulação, ou à oligovulação, quando a ovulação é infrequente ou irregular: um ciclo pode ser ovulatório e outro anovulatório.

Também podem interferir na fase lútea, provocando uma condição conhecida como ‘defeito da fase lútea’, na qual o corpo-lúteo não produz a quantidade necessária de progesterona para o espessamento final do endométrio, ou ele não responde à ação do hormônio. O problema resulta em falhas na implantação do embrião e abortamento.

Algumas sociedades questionam se os defeitos de fase lútea realmente existem e como seria possível diagnosticá-los.

É possível engravidar com ciclos irregulares?

Ainda que as irregularidades menstruais provoquem diferentes alterações nas fases do ciclo menstrual, é possível obter a gravidez a partir dos tratamentos de reprodução assistida.

As três principais técnicas são a RSP (relação sexual programada, chamada ainda coito programado), a IA (inseminação artificial) ou IIU (inseminação intrauterina) e a FIV (fertilização in vitro).

Em todas elas, uma das etapas, a estimulação ovariana, procedimento que ajuda bastante a aumentar as chances de gravidez quando há irregularidades menstruais.

A estimulação ovariana é realizada com medicamentos hormonais administrados desde o início do ciclo menstrual, com o objetivo de estimular o desenvolvimento de mais folículos, que irão posteriormente ovular. O desenvolvimento deles é acompanhado por exames de ultrassonografia.

As técnicas de baixa complexidade, RSP e IA, são mais adequadas para mulheres com até 35 anos que ainda possuam uma boa reserva ovariana. As tubas uterinas também devem estar saudáveis, pois em ambas a fecundação ocorre naturalmente.

Nelas, o ciclo é minimamente estimulado para obter até três folículos maduros. Na RSP, os exames de ultrassonografia indicam o período mais fértil para intensificar a relação sexual, objetivo do tratamento em conjunto com a estimulação ovariana.

Na IA, por outro lado, durante o período fértil os espermatozoides são depositados no útero para viajarem até as tubas uterinas onde a fecundação acontece.

Já a FIV é uma técnica de maior complexidade, pois a fecundação ocorre em laboratório. Por isso, é indicada para mulheres com SOP acima de 36 anos, quando a reserva ovariana diminui, ou com obstruções nas tubas uterinas.

Na FIV, as dosagens utilizadas são mais altas, pois o objetivo é obter uma quantidade maior de folículos maduros: cerca de 10. Os exames de ultrassonografia indicam o momento ideal para induzir os folículos ao amadurecimento e ovulação, também por medicamentos hormonais.

A ovulação ocorre entre 36h e 40h, momento que são coletados por punção folicular e posteriormente preparados em laboratório para fecundação.

Óvulos e espermatozoides são, então, fecundados em laboratório e os embriões formados posteriormente transferidos para o útero.

Em todas as técnicas é possível obter a gravidez quando há irregularidades menstruais. Na RSP e IA as chances são semelhantes às da gestação natural: entre 15% e 20% por ciclo de tratamento. Já na FIV os percentuais são mais altos: em média 40 a 50%, mas esses números dependem muito de outros fatores, como a idade da mulher.

O que fazer para reverter ciclos irregulares?

Os ciclos irregulares são revertidos com o tratamento da causa que provocou o problema. Miomas e a endometriose, por exemplo, podem ser removidos por cirurgia.

Se o problema for provocado por alterações hormonais, medicamentos específicos para equilibrar cada tipo de hormônio são prescritos. Eles possibilitam normalizar a menstruação e amenizar a severidade das cólicas, no entanto, são indicados apenas quando a mulher não está tentando engravidar.

Mudanças no estilo de vida também contribuem para o sucesso do tratamento. Entre elas a prática de exercícios físicos de forma mais moderada a uma reeducação alimentar: manter o peso normal ajuda a regularizar a menstruação.

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