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Dr. Alexandre Lobel
Dr. Alexandre Lobel

Prostatite

por Alexandre Lobel

A prostatite é uma condição frequentemente dolorosa que envolve a inflamação da próstata e muitas vezes áreas ao redor. É classificada em quatro tipos pelos órgãos de saúde mundiais:

A prostatite inflamatória assintomática, como a denominação indica, não apresenta nenhum sintoma e normalmente é descoberta durante a investigação de outros problemas no trato urinário ou reprodutivo. No entanto, esse tipo de prostatite não causa complicações e não necessita de tratamento.

A próstata é uma glândula em forma de noz que faz parte do sistema reprodutor masculino. Tem como principal função a produção do fluido seminal, que nutre e transporta os espermatozoides, inclusive já no organismo feminino. Ou seja, é essencial para a fertilidade masculina: alterações na glândula podem provocar infertilidade.

Este texto trata sobre a prostatite, destacando as causas da inflamação, os sintomas de cada tipo, diagnóstico e tratamentos indicados.

O que causa a prostatite?

Cada tipo de prostatite resulta de uma causa. A próstata envolve uma porção da uretra, canal que transporta a urina da bexiga para fora do corpo e, nos homens, o sêmen no momento da ejaculação. Bexiga e uretra são parte do trato urinário inferior. Por isso, geralmente a prostatite bacteriana ocorre a partir da disseminação de uma infecção urinária, causada na maioria das vezes por tipos comuns de bactérias.

Esse tipo de prostatite é classificado como bacteriana aguda, ocorre repentinamente e, se não for adequadamente tratada, tende a tornar-se recorrente e crônica.

A prostatite crônica ou síndrome da dor pélvica crônica, por outro lado, não é provocada por bactérias. É o tipo mais comum, embora as causas ainda sejam desconhecidas.

Porém, diferentes estudos sugerem que ela pode estar relacionada à presença de produtos químicos na urina, à resposta do sistema imunológico a infecções no trato urinário ou a danos nos nervos da região pélvica, que ocorrem como consequência de cirurgias e traumas, por exemplo.

O estresse psicológico pode também aumentar as chances para o desenvolvimento desse tipo de prostatite.

Quais sintomas a prostatite manifesta?

Os sintomas de prostatite também são diferentes em cada tipo e variam de acordo com a causa, assim como podem não ser os mesmos em todos os homens. Alguns são ainda semelhantes aos de outras condições. Veja abaixo os manifestados em cada tipo:

Prostatite crônica ou síndrome da dor pélvica crônica

É caracterizada por episódios de dor e desconforto que surgem e desaparecem de maneira imprevisível. Podem durar entre três meses ou mais e geralmente se manifestam entre o testículo e o ânus, no testículo, no pênis na parte inferior das costas e/ou ocorrer durante e após a ejaculação.

A dor pode se manifestar em apenas uma região ou simultaneamente em várias. Outros sintomas incluem:

Embora esse tipo de prostatite não provoque maiores complicações, os sintomas tendem a comprometer a qualidade de vida dos homens portadores, resultando, inclusive, em transtornos emocionais, como a depressão.

Prostatite bacteriana aguda

Os sintomas da prostatite bacteriana aguda surgem repentinamente e são graves. Eles indicam a necessidade de procurar auxílio médico com urgência:

Esse tipo de prostatite, quando não é tratado, pode causar complicações, como epididimite, que é uma inflamação do epidídimo – duto que armazena (fundamental para o amadurecimento dos gametas) e transporta os espermatozoides até que sejam ejaculados –, formação de abscesso na próstata e bacteremia, quando as bactérias invadem a corrente sanguínea.

Prostatite bacteriana crônica

O tratamento inadequado também resulta em prostatite crônica, que manifesta sintomas semelhantes aos da aguda, embora não manifeste febre, calafrios, vômitos ou náuseas e ocorram em menor intensidade. Podem ser intermitentes ou constantes e também é comum a dor durante a ejaculação.

A prostatite bacteriana crônica tende a provocar anormalidades no sêmen e, consequentemente, infertilidade.

Como a prostatite é diagnosticada?

A suspeita de prostatite é inicialmente confirmada pelo exame reto-digital, que possibilita a detecção de alterações como inchaço e sensibilidade da próstata. No entanto, o diagnóstico definitivo só é possível a partir da exclusão de outras causas e prevê a realização de diferentes exames.

O teste de urina, por exemplo, possibilita indicar se a prostatite foi provocada por uma infecção urinária e o tipo de bactéria. Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) estão entre os fatores de risco para infecções urinárias, por isso o rastreio também deve ser realizado. O exame de sangue, por outro lado, possibilita confirmar a presença de uma inflamação.

O sêmen também deve ser analisado para confirmar se há alterações e ao mesmo tempo a presença de sangue.

Exames de imagem, como ultrassonografia da próstata e tomografia computadorizada do trato urinário, possibilitam uma análise mais criteriosa da glândula, uretra e bexiga, da mesma forma que indicam a presença de tumores e excluem outras causas.

Uma biópsia das células da próstata é indicada em alguns casos para confirmar a inflamação. O procedimento também é importante para excluir a possibilidade de neoplasias.

Raramente pode ser realizada a massagem prostática. O procedimento tem como objetivo testar as secreções prostáticas para detectar infecções e apontar o tipo de bactéria. O tratamento é definido com base nos resultados diagnósticos.

Como a prostatite é tratada?

O tratamento da prostatite também é realizado de acordo com cada tipo. Na prostatite crônica ou síndrome da dor pélvica crônica, por exemplo, tem como objetivo diminuir a dor e o desconforto, além de combater a inflamação.

Geralmente são prescritos analgésicos para aliviar a dor, para a inflamação, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), além de medicamentos alfa-bloqueadores que ajudam a relaxar os músculos da próstata e bexiga se houver problemas de micção.

Em alguns casos, podem ainda ser ainda prescritos antibióticos, mesmo que nenhuma infecção seja encontrada, como tratamento auxiliar para os sintomas.

A prostatite bacteriana aguda é tratada por antibióticos, prescritos de acordo com a bactéria que causou a inflamação. O ciclo mínimo de tratamento é de duas semanas, no entanto, como a infecção tende a ser recorrente, é bastante comum a indicação de ciclos mais longos, de 6 ou 8 semanas.

Os casos mais graves, por outro lado, podem exigir internação por curto prazo, com a administração de antibióticos intravenosos e fluidos. Posteriormente são prescritos antibióticos orais em ciclos de 2 ou 4 semanas.

Na maioria dos casos, a prostatite bacteriana aguda desaparece completamente após o tratamento.

Embora também seja tratada por antibióticos, na prostatite bacteriana crônica o tratamento é realizado por um período mais longo. Normalmente são prescritos antibióticos orais em baixas doses, por pelo menos 6 meses para prevenir a recorrência da infecção. Nos casos em que a recorrência ocorre mesmo após o tratamento, podem ser prescritos outros tipos de antibióticos ou a combinação de vários.

Medicamentos alfa-bloqueadores também são indicados se houver retenção urinária. Quando o problema não é resolvido, a abordagem cirúrgica passa a ser a recomendação.

A adoção de algumas medidas pode a aliviar os sintomas da prostatite, entre elas:

Quando a síndrome da prostatite crônica ou dor pélvica crônica resulta de estresse psicológico, a administração de medicamentos psiquiátricos adequados e medidas que contribuam para equilibrar a condição diminuem a recorrência dos sintomas.

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