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Dr. Alexandre Lobel
Dr. Alexandre Lobel

O que é azoospermia?

por Alexandre Lobel

Ainda não está tão claro para a população de forma geral que a infertilidade pode ser causada por fatores masculinos e femininos. Posso dizer isso pelo que observo em meu dia a dia como profissional da reprodução assistida. Por isso, achei importante fazer um texto sobre azoospermia, um dos principais fatores de infertilidade masculina. Vamos lá!

Quer entender melhor o que é azoospermia e como ela afeta a fertilidade masculina? Leia o texto a seguir!

O sêmen

Apesar de o líquido ejaculado, o sêmen, ser mais conhecido por conter espermatozoides, os gametas masculinos, essas células correspondem a somente 10% da sua composição total. Produzidos nos testículos, os espermatozoides necessitam de um meio pelo qual possam nadar.

O sêmen é produzido a partir de uma suspensão concentrada de espermatozoides e secreções líquidas, produzidas por 3 diferentes glândulas sexuais acessórias, localizadas no trajeto entre os testículos e a uretra: a próstata, as vesículas seminais e as glândulas bulbouretrais.

Essas secreções têm como principal função a manutenção da integridade dos espermatozoides, alimentando-os, protegendo-os do pH ácido do canal vaginal e fornecendo um meio ambiente líquido pelo qual os espermatozoides são capazes de nadar em direção ao óvulo, dentro do corpo feminino.

Quando existem obstruções nesse trajeto ou quando há problemas com a produção de espermatozoides, o homem pode ejacular o sêmen sem as células reprodutivas. Essa condição é chamada azoospermia e está relacionada a quadros de infertilidade masculina severa.

A azoospermia não é uma doença em si, mas uma condição provocada por outras doenças ou condições – como a vasectomia –, podendo ser reversível ou não, dependendo das causas que levaram a ela.

Características dos espermatozoides

Além da quantidade de espermatozoides, outros aspectos como a vitalidade, motilidade e morfologia dessas células, além da composição química do fluido seminal também são importantes para a função espermática.

Os espermatozoides são produzidos a partir do desenvolvimento das células de Leydig, localizadas nas paredes dos túbulos seminíferos sendo temporariamente armazenados nos epidídimos. Durante a ejaculação, os espermatozoides são emitidos pelos ductos deferentes, onde se misturam com o plasma seminal, a parte líquida do sêmen, aqui ainda bastante viscosa, produzida pelas vesículas seminais, próstata e glândulas bulbouretrais.

Vesículas seminais

Responsáveis por cerca de 60% do conteúdo do sêmen, o líquido seminal é levemente alcalino e fornece principalmente energia (nutrição) aos espermatozoides.

Próstata

O líquido prostático compõe 30% do sêmen e é altamente enzimático e antioxidante, além de alcalino, sendo, por isso responsável pela proteção dos espermatozoides contra a acidez do canal vaginal. As enzimas prostáticas são responsáveis pelo processo de liquefação do sêmen após a ejaculação, que diminui a viscosidade desse composto e permite aos espermatozoides adquirir mobilidade.

Glândulas bulbouretrais

Sua secreção configura o aspecto gelatinoso do sêmen antes da liquefação. Tem função nutricional e protetora, porém é produzida em baixíssimas quantidades.

A azoospermia

A azoospermia, portanto, é definida como a ausência de espermatozoides no exame do sêmen ejaculado, o que pode ser avaliado com o espermograma, mesmo após o processo de centrifugação.

Nem sempre a ausência de espermatozoides no líquido ejaculado quer dizer que existem problemas com a sua produção, ainda que esse possa ser um motivo plausível. Quando a azoospermia é resultado de problemas com a produção de espermatozoides, ela é chamada não obstrutiva.

A azoospermia, porém, também pode ser resultado de obstruções no trajeto do sêmen, mais frequentemente nos epidídimos ou ducto deferente, normalmente resultantes de malformações congênitas nesses ductos, ainda que possa ter origem em outras condições.

A azoospermia – obstrutiva e não obstrutiva – acomete aproximadamente 10% dos homens com infertilidade, sendo mais comum a não obstrutiva. Ainda assim, a azoospermia continua sendo muito mais uma descrição do ejaculado do que um diagnóstico em si.

A constatação da azoospermia é, na realidade, uma porta de entrada para a investigação da infertilidade masculina e escolha das melhores intervenções que visem à retomada da capacidade reprodutiva do homem.

Causas

A azoospermia pode ser causada por alguns fatores. Vamos dividir em obstrutiva e não obstrutiva.

Azoospermia obstrutiva

A obstrução do trajeto entre os testículos e a uretra pode ser física ou funcional.
As obstruções físicas compreendem presença de alterações anatômicas, como cicatrizes de infecções precedentes, como a clamídia, ainda que já tenham sido tratadas e a interrupção voluntária do canal deferente, por via cirúrgica, chamada vasectomia.

A ejaculação retrógrada, que acontece quando o sêmen é impulsionado para dentro da bexiga, por malformações na conexão entre ducto deferente e uretra, não chegando ao corpo feminino. Nesse caso não é preciso espermograma para o diagnóstico, já que este é feito a partir da ausência completa de sêmen após a ejaculação. Pacientes com trauma raquimedular podem evoluir com a ejaculação retrógrada.

Azoospermia não obstrutiva

A azoospermia não obstrutiva se manifesta nos casos em que a ausência de espermatozoides no líquido ejaculado não é decorrente de obstruções nos canais do trajeto ejaculatório. O diagnóstico aqui deve apontar para problemas na formação dos gametas masculinos, a espermatogênese.

Esses problemas normalmente têm origem genética e reflexos também no equilíbrio hormonal do homem como um todo, já que tanto a espermatogênese quanto a produção de testosterona são reguladas por hormônios do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, mais especificamente pelo hormônio folículo estimulante (FSH), que ativa a espermatogênese e o hormônio luteinizante (LH), que orquestra a produção de testosterona.

Nesse sentido, a azoospermia não obstrutiva tem algumas causas mais bem delineadas, como alterações na secreção de FSH, LH ou testosterona – mais comumente tratados através de terapia hormonal – ou alterações genéticas.

Além disso, a exposição a substâncias tóxicas ou à medicação oncológica e radioterapia também podem reduzir a produção de espermatozoides e, nesses casos – como nos casos mais severos de azoospermia – o tratamento depende do grau de comprometimento testicular.

Tratamentos para azoospermia

Os casos de azoospermia obstrutiva normalmente são tratados por intervenção cirúrgica, dependendo sempre do grau de acometimento que a obstrução acarretou.
A reversão da vasectomia é um exemplo de intervenção cirúrgica de alto índice de sucesso, sendo os melhores resultados obtidos com a microcirurgia.

Muitas vezes, porém, a cirurgia de reversão da vasectomia ou as terapêuticas empregadas na solução dos problemas primários que causaram a azoospermia, não são suficientes para restaurar a fertilidade masculina. Nesses casos o mais indicado é recorrer às técnicas de reprodução assistida, o que também é indicado na azoospermia não obstrutiva.

Reprodução assistida e azoospermia

A reprodução assistida, mais especificamente a FIV (fertilização in vitro), é particularmente interessante para os casos de infertilidade masculina por azoospermia porque permite que a coleta de espermatozoides por procedimentos cirúrgicos, caso não seja possível obtê-los no sêmen.

Nos casos de azoospermia obstrutiva em que o tratamento não restabeleceu a presença normal de espermatozoides no líquido ejaculado, usamos as técnicas de microsurgical epididymal sperm aspiration (MESA) ou percutaneous epididymal sperm aspiration (PESA), que aspiram os espermatozoides precisamente dos epidídimos.

Quando se trata de casos não obstrutivos, a técnica de testicular sperm aspiration (TESA), sem ou com a utilização de microscópio (Micro-TESE), vasculha regiões dos túbulos seminíferos, nos testículos, em que possa haver produções mínimas de espermatozoides.

Quando a azoospermia é severa a ponto de não haver qualquer produção espermática nos testículos, a FIV também pode ser recomendada a partir da utilização de esperma de doador, sempre anônimo.

Leia mais sobre azoospermia tocando no link.

 

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