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Dr. Alexandre Lobel
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Miomas podem causar infertilidade?

por Alexandre Lobel

Existem muitas doenças que podem afetar a fertilidade feminina. No entanto, percebo nas consultas que as mulheres têm muitas dúvidas sobre quais doenças e como elas afetam a fertilidade. Por isso, resolvi escrever sobre a relação dos miomas com a infertilidade feminina.

Milhares de mulheres sofrem com infertilidade no mundo todo. As alterações na fertilidade feminina podem ser causadas por diferentes doenças, entre as mais graves está a endometriose, que pode afetar a capacidade reprodutiva em todos os estágios, do inicial aos mais avançados.

Miomas uterinos, por outro lado, embora sejam bastante comuns, apenas provocam alterações durante a fase reprodutiva de acordo com o local de crescimento, assim, estão entre as de menor gravidade de modo geral, embora haja manifestações graves da doença.

Vou explicar, neste post, o que são miomas uterinos e como eles afetam a fertilidade, ao mesmo tempo destaco os tipos, fatores de risco, causas e prevalência. Continue a leitura e saiba mais!

Entenda o que são miomas uterinos

Miomas uterinos são tumores benignos (não cancerosos) formados a partir de uma única célula do miométrio, que se multiplica e cresce, originando-os.

Podem ter diferentes tamanhos, variam de poucos milímetros a massas mais volumosas, que tendem a causar alterações no formato do útero ou aumentar o volume uterino. Uma mulher pode desenvolver um ou vários miomas. No entanto, por serem assintomáticos na grande parte dos casos geralmente são descobertos durante o exame de rotina e tendem a retroceder naturalmente após a menopausa.

Estima-se que aproximadamente de 50% a 80% das mulheres em idade fértil tenham miomas. Ainda que a etiologia dos miomas permaneça desconhecida, estudos sugerem que o crescimento pode ser estimulado por vários fatores, incluindo diferença racial – a incidência em mulheres negras é maior quando comparadas com as brancas –, assim como em mulheres com casos na família, quando por exemplo mães ou irmãs são portadoras.

O risco também é mais alto para as que menstruaram precocemente e para as mulheres obesas, que respondem por 20% dos casos. O estilo de vida também contribui, por exemplo, o consumo de álcool em excesso, de cafeína e de alguns tipos de alimentos, incluindo carne vermelha.

O desenvolvimento de miomas é estimulado pela ação do estrogênio, dessa forma, estão entre as patologias uterinas consideradas estrogênio-dependente: tendem a reduzir após a menopausa, quando os níveis do hormônio são mais baixos.

Os problemas de fertilidade, assim como a classificação dos miomas, estão relacionados ao local de crescimento.

Tipos de miomas uterinos

Os miomas são classificados em três tipos, de acordo com a localização, critério que interfere, ao mesmo tempo, nos sintomas manifestados por eles. Os que estão localizados dentro da cavidade uterina são chamados submucosos, na parede uterina, intramurais e na superfície do útero, subserosos.

Miomas submucosos são o tipo menos comum, porém, podem provocar sintomas que comprometem a qualidade de vida das mulheres portadoras, incluindo sangramento abundante (menorragia) e cólicas de maior severidade durante e entre os períodos menstruais, além de dor durante as relações sexuais (dispareunia). A perda excessiva de sangue tende a resultar em anemia e fadiga.

Os intramurais, em tamanhos maiores manifestam sintomas semelhantes, no entanto o sangramento menstrual além de abundante, muitas vezes é prolongado.

Enquanto os subserosos, por outro lado, por possuírem mais espaço para o crescimento, podem atingir grandes dimensões e causar a compressão de órgãos como bexiga e intestino, provocando sintomas como a vontade urgente e frequente de urinar ou constipação.

Os miomas podem causar infertilidade?

Nem todo tipo de miomas causa infertilidade. O local de crescimento também interfere na fertilidade. Os miomas submucosos, embora sejam o tipo menos comum, são os que mais afetam a capacidade de engravidar.

Por crescerem no interior da cavidade uterina alteram a receptividade endometrial, resultando em falhas na implantação do embrião ou em abortamento. Os que estão próximos à implantação das tubas podem provocar obstrução tubária, dificultando ou impedindo a fecundação.

Ao mesmo tempo, podem causar complicações na gravidez, incluindo descolamento da placenta, parto prematuro e hemorragia pós-parto.

Já os miomas intramurais maiores podem causar distorções na anatomia uterina, levando a problemas no desenvolvimento e sustentação da gravidez.

Qual o tratamento mais indicado para miomas uterinos?

Miomas assintomáticos, que não interferem com a fertilidade ou gravidez, devem apenas ser periodicamente observados. Se houver necessidade de tratamento, pode ser realizado pela administração de medicamentos, por métodos não-cirúrgicos, cirurgia ou técnicas de reprodução assistida, de acordo com cada caso.

A terapia hormonal é indicada para diminuir os sintomas. É importante que mulheres que estejam tentando engravidar não utilizem tratamentos hormonais, pois esses impedem a gravidez. Um recurso importante, se houver indicação, é a cirurgia.

Os métodos não cirúrgicos incluem a ultrassonografia focada guiada por MRI, indicada se houver sangramento e cólicas. Nesse tratamento, as ondas de ultrassom provocam uma necrose coagulante nos miomas. Outra alternativa é a embolização da artéria uterina, que prevê a injeção de substâncias para obstruírem o fluxo sanguíneo.

O corte no suprimento resulta, consequentemente, na redução deles. Entretanto, ambas as técnicas não são validadas para mulheres com desejo reprodutivo.

O tratamento cirúrgico é recomendado apenas quando os miomas provocam anormalidades uterinas ou sintomas mais severos. Se causarem infertilidade, a fertilização in vitro (FIV) é uma das técnicas de reprodução assistida mais indicada.

Como a fecundação de óvulos e espermatozoides ocorre em laboratório e os embriões formados são posteriormente transferidos para o útero, é possível contornar problemas como obstruções nas tubas uterinas, uma vez que não possuem nenhum tipo de função nesse processo.

Enquanto as alterações na receptividade endometrial podem ser diagnosticadas pelo teste ERA, uma das técnicas complementares ao tratamento, que determina o momento mais receptivo para transferência do embrião pela análise das células do endométrio.

Na FIV as chances de gravidez são, em média, 40% a cada ciclo de realização do tratamento, a depender da idade da mulher.

Quer saber mais sobre miomas uterinos? Então leia o nosso texto institucional sobre o assunto.

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