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Dr. Alexandre Lobel
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Infertilidade masculina

por Alexandre Lobel

Entre as características que definem a infertilidade masculina estão a baixa produção dos gametas masculinos, a ausência deles no sêmen ejaculado, alterações na qualidade e função espermática ou bloqueios que impedem o transporte até o óvulo para fecundá-lo.

Embora na maioria das vezes seja assintomática, geralmente descoberta diante da tentativa malsucedida de engravidar a parceira, também pode manifestar alguns sintomas que indicam a necessidade de procurar auxílio médico.

Provocada por diferentes condições, a infertilidade masculina, assim como a feminina, afeta milhares de homens no mundo todo e representa cerca de 30% dos casos de infertilidade conjugal. No entanto, geralmente tem tratamento.

Este texto explica diversos aspectos da infertilidade masculina, destacando os sintomas, as causas, diagnóstico e tratamento.

O que pode causar a infertilidade masculina?

Diferentes condições podem interferir no funcionamento normal do sistema reprodutor masculino e causar infertilidade. O desequilíbrio nos níveis dos hormônios sexuais masculinos responsáveis pela produção de espermatozoides, podem resultar de problemas da hipófise, hipotálamo ou da tireoide, causados por diferentes condições que afetam os testículos.

Exemplos incluem doenças, como o diabetes e a caxumba, lesões, tumores e infecções, como a orquite (inflamação dos testículos), epididimite (inflamação do epidídimo) e uretrite (inflamação da uretra).

A varicocele, considerada a causa mais comum de infertilidade masculina, também interfere na produção de gametas masculinos, assim como neoplasias e lesões.

Da mesma forma que os processos infecciosos, inclusive as infecções sexualmente transmissíveis (IST), como clamídia e gonorreia, afetam a qualidade dos espermatozoides e a função espermática, também tendem a causar cicatrizes e bloquear o transporte desses gametas até o útero para que ocorra a fecundação.

Os bloqueios podem ainda resultar de lesões cirúrgicas, vasectomias, traumas ou doenças genéticas, como a fibrose cística.

Anormalidades cromossômicas e genéticas, assim como a consequência do avanço da idade, podem causar alterações no número e estrutura dos cromossomos. A aneuploidia, por exemplo, em que há um número maior ou menor de cromossomos do que o normal, está associada a falhas de implantação e abortos espontâneos recorrentes. Exemplo de aneuploidia é a síndrome de Down, condição em que o cromossomo 21 tem três cópias (trissomia 21).

Já os problemas na função sexual, como a dificuldade em ter ou manter uma ereção, ejaculação precoce, ejaculação retrógada, anormalidades anatômicas congênitas ou adquiridas inibem o processo de fecundação.

Alguns fatores de risco também contribuem para a infertilidade masculina, como a superexposição ao calor ou toxinas, radiação e hábitos como alcoolismo, tabagismo e uso de drogas, incluindo anabolizantes.

Quais são os sintomas da infertilidade masculina?

Por ser geralmente assintomática, muitas vezes a infertilidade masculina é diagnosticada tardiamente, ocasionando diversos danos para a saúde reprodutiva masculina. No entanto, alguns sintomas, mesmo que muitas vezes se manifestem de forma mais branda, contribuem para sinalizar o problema.

Os mais relatados estão relacionados a problemas sexuais, como a disfunção erétil, dificuldades de ejaculação e pequenos volumes ejaculados, ou à redução do desejo sexual (libido).

O desequilíbrio hormonal, que interfere diretamente na produção dos gametas masculinos, pode causar a diminuição dos pelos corporais e faciais, o crescimento anormal das mamas (condição conhecida como ginecomastia) e alterações no sono. A assimetria testicular e alterações do olfato também podem indicar infertilidade.

Como a infertilidade masculina é diagnosticada?

A suspeita de infertilidade masculina é confirmada a partir da realização de diferentes exames diagnósticos. Antes, entretanto, o paciente deve ser submetido ao exame físico, quando já podem ser detectadas algumas alterações, como assimetria testicular, secreções penianas e a presença de varizes nos testículos, características de varicocele.

Durante o exame físico, o histórico clínico e familiar também é avaliado para verificar a ocorrência de doenças genéticas ou adquiridas que possam interferir na fertilidade, inclusive de ISTs.

Posteriormente, é realizado o espermograma (teste padrão para avaliação da fertilidade masculina), que analisa parâmetros como quantidade, morfologia e motilidade dos gametas presentes nas amostras de sêmen e características do líquido seminal, como pH e viscosidade.

Testes de função espermática podem ainda ser indicados em complementação ao espermograma, entre eles o teste de fragmentação do DNA espermático, que pode ser utilizado em casos específicos.

Os testes hormonais também são importantes para indicar desequilíbrios hormonais, e os exames de imagem, como a ultrassonografia e a ressonância magnética (RM), identificam bloqueios ou a presença de tumores.

Os resultados diagnósticos orientam a abordagem mais adequada para o tratamento de cada caso.

Quais são os tratamentos indicados para a infertilidade masculina?

Os problemas de infertilidade masculina de menor gravidade geralmente são tratados com medicamentos ou cirurgias. Por outro lado, para os casos mais graves de infertilidade masculina, a indicação padrão é o tratamento por fertilização in vitro com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides).

Foi apenas a partir do surgimento da técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozoide, na década de 1990, que os fatores graves de infertilidade masculina passaram a ter tratamento. Até então, eram considerados sem solução. Veja o tratamento indicado para cada caso:

Distúrbios hormonais: quando a infertilidade é causada pela alteração nos níveis dos hormônios sexuais masculinos, a indicação é a reposição hormonal. Com o reequilíbrio, a produção dos gametas também normaliza.

Infecções: antibióticos podem curar facilmente os processos infecciosos. Eles são prescritos a partir da identificação da bactéria. No entanto, nos casos em que o processo infeccioso causou maiores danos ao sistema reprodutor, apesar de a infecção ser curada, a fertilidade pode não ser restaurada.

Problemas sexuais: problemas sexuais como a dificuldade em ter ou manter uma ereção e ejaculação precoce também podem melhorar a partir da administração de medicamentos específicos.

Obstruções, danos e varicocele: obstruções e danos em dutos como epidídimo e deferente podem ser reparados cirurgicamente. A abordagem cirúrgica também possibilita a correção da varicocele.

Fatores graves de infertilidade: o tratamento por fertilização in vitro com ICSI é indicado para os fatores mais graves de infertilidade e é a principal indicação em caso de insucesso de outras técnicas.

Na FIV com ICSI, os gametas masculinos de maior qualidade (morfologia e motilidade) são selecionados por técnicas de preparo seminal. Além disso, nos casos em que não estão presentes no sêmen ejaculado, condição conhecida como azoospermia, podem ser ainda recuperados diretamente do epidídimo ou testículos com a utilização de técnicas cirúrgicas.

Os espermatozoides selecionados ou recuperados são avaliados individualmente por um microscópio de alta potência. Acoplado a ele, um micromanipulador de gametas, aparelho de grande precisão, realiza a injeção do espermatozoide diretamente no citoplasma do óvulo, aumentando as chances de fecundação.

Algumas técnicas complementares ao procedimento permitem ainda a solução de diferentes problemas. Nos casos em que há suspeita de doenças genéticas e anormalidades cromossômicas, por exemplo, o teste genético pré-implantacional (PGT) analisa as células embrionárias, garantindo a seleção e transferência apenas de embriões saudáveis.

Se houver dificuldade em realizar o tratamento com gametas próprios, a doação de espermatozoides, outra técnica complementar à FIV, também é uma alternativa importante. No entanto, essa opção só é feita em último caso, uma vez que o casal geralmente tem o desejo de ter filhos com o próprio material genético.

A FIV é considerada a técnica de reprodução assistida com os maiores percentuais de sucesso de gravidez por ciclo de realização.

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