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Dr. Alexandre Lobel
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Infertilidade masculina: conheça as possíveis causas

por Alexandre Lobel

Uma pergunta muito frequente que ouço é: o que pode deixar o homem infértil? Isso pode acontecer? A resposta é sim, pode acontecer, e existem diversos fatores que podem provocar isso.

A infertilidade, tanto em homens quanto em mulheres, é uma doença caracterizada pela incapacidade de ter filhos após tentativas por um ano sem a utilização de métodos contraceptivos. Muitas vezes, é uma consequência de patologias que, especialmente se não tratadas a tempo, afetam partes do sistema reprodutor e prejudicam sua capacidade reprodutiva.

Dependendo do grau de acometimento do sistema reprodutivo masculino, a infertilidade pode ser transitória ou permanente. A infertilidade transitória é uma condição tratável, normalmente corrigida por via medicamentosa ou cirúrgica, dependendo da doença que originou essa condição. A infertilidade permanente não pode ser tratada, mas, na maior parte dos casos, as técnicas de reprodução assistida podem auxiliar.

Alguns exemplos de doenças que levam o homem a quadros de infertilidade são a varicocele, doença causada por defeitos nas válvulas da rede venosa dos testículos, ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), como a clamídia e gonorreia, complicações decorrentes da caxumba, além de condições genéticas diversas que impedem ou que geram dificuldades ao homem que quer ser pai.

Quer conhecer melhor as doenças que causam infertilidade masculina? Acompanhe na leitura do texto abaixo!

O que é infertilidade?

A infertilidade é considerada um problema de saúde pública pela OMS (Organização Mundial da Saúde), já que atinge 15% de toda a população mundial.

A infertilidade, em geral, se define pela frustração das tentativas de engravidar durante 12 meses, sem uso de qualquer método anticoncepcional.

Quando a investigação sobre a fertilidade do casal aponta para fatores masculinos como origem desse quadro de infertilidade, chamamos de infertilidade masculina.

Causas da infertilidade masculina

As causas da infertilidade masculina podem ter uma origem genética ou podem ser resultado de danos posteriores ao nascimento, como infecções, ISTs, alcoolismo, tabagismo, estresse e uso de entorpecentes e substâncias tóxicas.

Entre as causas genéticas, podemos ainda dividi-las entre cromossômicas ou gênicas. A síndrome de Klinefelter é a mais conhecida entre as alterações cromossômicas que tem infertilidade como consequência. Ela acontece quando o cariótipo (conjunto de cromossomos) apresenta 3 cromossomos sexuais em vez de dois, na configuração XXY.

Essa condição é diagnosticada normalmente na puberdade e se manifesta em sinais e sintomas compartilhados com outras anomalias, como hipogonadismo hipergonadotrófico (que leva ao subdesenvolvimento do sistema reprodutor e também à inibição do aparecimento dos caracteres sexuais secundários), azoospermia (ausência de espermatozoides no líquido ejaculado), atrofia testicular, entre outros.

Chamamos de oligozoospermia a diminuição drástica do número de espermatozoides no ejaculado e azoospermia quando há ausência total dessas células.

Entre as causas genéticas podemos citar a translocação de cromossomos, em que um pedaço de um cromossomo é perdido ou troca de lugar com outro, assim como a microdeleção do cromossomo Y, doença em que o homem não tem um pedaço desse cromossomo tão importante para a produção de espermatozoides.

Muitos quadros de infertilidade masculina, porém, não resultam de problemas genéticos pré-natais (congênitos).

Uma doença que pode levar à infertilidade é a varicocele que envolve a dilatação do sistema que drena o sangue dos testículos, resultante de defeitos nas válvulas que controlam o retorno venoso provocando a dilatação dos vasos.

A compressão dos testículos leva à dor e prejudica a formação dos espermatozoides, fazendo da varicocele a principal causa de infertilidade masculina, ainda que assintomática na maioria dos casos.

A incidência dessa doença está entre 10% e 15% da população geral, porém aparece em até 50% dos homens inférteis que nunca tiveram filhos (infertilidade primária) e em até 80% dos homens inférteis que já tiveram filhos (infertilidade secundária).

Outras doenças que resultam muitas vezes em infertilidade é a caxumba e infecções no trato urogenital resultantes de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), inflamações na uretra (uretrite), na próstata (prostatite) e no epidídimo (epididimite), bem como estilo de vida pouco saudável podem levar a grandes dificuldades ou até mesmo à incapacidade reprodutivas.

Desses, os problemas com a próstata são dos mais comuns e os mais negligenciados pelos homens.

Muitos homens, finalmente, optam por prevenir definitivamente o aparecimento de novas gestações com a vasectomia, que é uma intervenção cirúrgica que promove um quadro definitivo de azoospermia obstrutiva, mas que pode ser revertida em determinados casos.

Como investigar a infertilidade masculina?

A investigação da infertilidade masculina começa sempre com uma conversa aprofundada a respeito do histórico médico familiar e individual do casal, em busca de fatores genéticos ou de doenças preexistentes – tratadas ou não – que possam fornecer pistas sobre as causas da infertilidade.

Na primeira consulta é feito também o exame clínico, que avalia as condições externas dos órgãos sexuais masculinos e a solicitação de exames laboratoriais e de imagem, caso seja necessário.

 

O primeiro exame solicitado é o espermograma, que analisa o líquido ejaculado e mensura a quantidade, mobilidade e morfologia dos espermatozoides. Qualquer alteração nessas variáveis pode ser a causa da infertilidade e é a partir desse exame que outros, mais específicos, podem ser solicitados.

Quando o volume dos testículos parece alterado ao exame clínico, a ultrassonografia de bolsa testicular e o exame de dopplerfluxometria podem ser solicitados, já que potencialmente podem identificar patologias como a varicocele ou outras obstruções no trajeto entre os testículos e a uretra.

Se a suspeita recair sobre alterações hormonais, especialmente no metabolismo de secreção de testosterona, podem ser solicitadas dosagens hormonais, feitas através da coleta de sangue.

Reprodução assistida e infertilidade masculina

Os casos em que a impossibilidade de gerar filhos deve-se a causas reversíveis, o tratamento das doenças que originaram a condição de infertilidade é a primeira terapêutica escolhida.

Porém, quando as causas da infertilidade masculina são genéticas e irreversíveis, quando não podem ser determinadas com precisão, assim como nos casos em que outros tratamentos não foram capazes de reverter este quadro, o casal pode recorrer às técnicas de reprodução assistida, principalmente à FIV (fertilização in vitro), por suas altas taxas de sucesso e também, quando necessário pela possibilidade de utilizar espermatozoides de doadores, solicitados nos bancos de sêmen.

Quer saber mais sobre infertilidade masculina? Leia nosso conteúdo institucional clicando aqui.

 

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