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Dr. Alexandre Lobel
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Infertilidade masculina: como investigar

por Alexandre Lobel

A gestação é um delicado processo que aparentemente começa na fecundação do óvulo pelo espermatozoide, nas tubas uterinas. No entanto, existe uma série de processos anteriores para que a fecundação seja possível.

O fenômeno da gravidez é inspirador, por isso dedico todos os meus esforços para auxiliar casais a conseguirem esse objetivo. Muitas vezes é um longo caminho, mas muito recompensador.

Ainda que a fecundação aconteça dentro do corpo da mulher, seu sucesso depende intimamente do perfeito funcionamento do aparelho reprodutivo feminino, mas não só. Acredita-se que cerca de 40% a 50% dos casos de infertilidade no mundo sejam resultado de alterações no sistema reprodutivo masculino.

Ao longo de toda a minha carreira, acolhi uma porção de casais que apresentaram quadros de infertilidade masculina que foram revertidos. O diagnóstico pode ser obtido inicialmente pela análise de exames simples, como o espermograma, porém em alguns casos é preciso investigar mais profundamente.

Quer saber mais? Acompanhe o texto abaixo!

O que é infertilidade?

Tanto homens quanto mulheres vivenciam um declínio natural em sua fertilidade ao longo da vida; o fim do período fértil para mulheres acontece após a menopausa, por volta dos 45-50 anos. Os homens não ficam inférteis, mas experimentam uma redução mais acentuada da fertilidade a partir dos 45 anos.

Quando um casal não consegue engravidar, mesmo estando dentro do período reprodutivo, é necessário investigar o que está causando esse quadro de infertilidade.

Oficialmente, a infertilidade pode ser definida como a incapacidade de um casal conseguir gravidez após um ano de relações sexuais sem fazer uso de nenhum método contraceptivo.

Nesse sentido, infertilidade masculina é quando as causas desse quadro se devem a causas genéticas ou a alterações anatômicas e fisiológicas do aparelho reprodutivo masculino. Para se chegar a essa conclusão com segurança, é preciso, no entanto, que uma análise do quadro geral do casal seja feita por meio de exames para ambos, homem e mulher.

As principais causas da infertilidade masculina estão relacionadas à qualidade e quantidade dos espermatozoides no líquido seminal, mas outras doenças podem prejudicar a capacidade reprodutiva masculina, como ISTs, diabetes, caxumba, tumores, lesões mecânicas e varicocele.

Sinais, sintomas e investigação da infertilidade

Muitos casos de infertilidade masculina podem não manifestar sintomas clínicos, porém alguns homens apresentam sinais e sintomas físicos específicos. Dentre eles podemos destacar problemas relacionados à ejaculação, alterações hormonais visíveis, alterações no volume ou qualidade do esperma e no tamanho dos testículos e bolsa testicular.

Os homens que me procuram em busca de investigar possíveis quadros de infertilidade encontram na primeira consulta uma conversa amigável e acolhedora, que busca abordar desde possíveis sintomas até o histórico pessoal e familiar, relacionado à fertilidade e à saúde como um todo.

É nessa entrevista que podemos começar a traçar um caminho que leve ao diagnóstico e suas causas de forma rápida e eficaz, solicitando os exames mais adequados para cada caso. Exames clínicos também podem ser feitos nessa primeira consulta, caso seja necessário.

Exames para investigar a infertilidade

O primeiro exame solicitado é o espermograma, que analisa o líquido ejaculado para medir a quantidade, motilidade e forma dos espermatozoides. Qualquer alteração nessas variáveis pode ser a causa da infertilidade e é a partir desse exame que outros, mais específicos, podem ser solicitados.

A amostra de sêmen para o espermograma é coletada por masturbação e a análise é feita em ambiente laboratorial.

A partir do espermograma, portanto, podem ser solicitados outros exames que avaliem variáveis como o equilíbrio hormonal, tamanho e condições anatômicas dos testículos e possíveis causas genéticas

Quando o volume dos testículos está alterado ou quando o exame clínico constata a presença de hidrocele ou nódulos, a ultrassonografia de bolsa testicular e o exame de dopplerfluxometria podem fornecer informações mais precisas.

A dopplerfluxometria detecta também patologias como a varicocele, já que avalia também se há refluxo de sangue nas veias da bolsa testicular, quando não há manifestação clínica visível.

As avaliações hormonais são feitas através da coleta de sangue e avaliam os níveis de testosterona livre, entre outros hormônios, que podem interferir na produção dos espermatozoides, gerando um quadro de oligozoospermia, ou a baixa concentração de espermatozoides no líquido ejaculado, ou mesmo azoospermia (ausência de espermatozoides). Nesses casos, a investigação deve incluir exame de cariótipo que investigue possíveis causas genéticas ligadas ao cromossomo Y.

As causas genéticas da infertilidade masculina são inicialmente levantadas pela análise do histórico familiar, e a análise do cariótipo bem como o exame de fragmentação de DNA espermático são centrais para esse diagnóstico.

No primeiro são observadas alterações no DNA somático que possam indicar infertilidade e o segundo avalia a qualidade do material genético contido nos espermatozoides, que pode estar inviabilizando a fecundação ou o desenvolvimento fetal inicial.

Tratamentos que podem ser indicados para a infertilidade

O melhor tratamento para cada caso deve ser escolhido após a análise dos exames e podem consistir desde mudanças de estilo de vida, como parar de fumar, controlar o peso corporal, fazer atividades físicas, entre outros, até cirurgias de correção, como nos casos de varicocele ou a reversão da vasectomia.

As técnicas de reprodução assistida também podem ser uma alternativa de sucesso, especialmente nos casos de oligozoospermia severa e azoospermia (respectivamente, pouco ou nenhum espermatozoide no sêmen). Nesses casos, fazemos a retirada dos espermatozoides diretamente dos testículos e a fecundação pode ser feita em laboratório.

Para saber mais sobre infertilidade masculina, toque no link.

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