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Dr. Alexandre Lobel
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Infertilidade feminina: como investigar

por Alexandre Lobel

A gestação, sonhada por tantos casais, parece algo fácil de acontecer. Mas você sabia que, na verdade, existe todo um mecanismo complexo que precisa acontecer de uma forma sincronizada? Para que a gravidez ocorra, são necessárias diferentes etapas.

No início do ciclo menstrual, estimulado pela ação hormonal, vários folículos (bolsas que armazenam os óvulos) são recrutados e um deles desenvolve, amadurece e rompe liberando o óvulo, capturado pelas tubas uterinas, onde o encontro com o espermatozoide acontece.

Após ser fecundado o zigoto, nome dado ao embrião durante os primeiros dias de vida, viaja até o útero. Entre o quinto e sexto dia de desenvolvimento o embrião implanta no endométrio, camada que reveste a parte interna do útero, preparado durante o ciclo menstrual para recebê-lo: ele nutre e abriga embrião até que a placenta seja formada. É no útero que a gestação se desenvolve.

Infelizmente, nem sempre as coisas acontecem como esperamos. Diferentes condições podem provocar alterações no funcionamento adequado desse processo, levando a problemas de fertilidade, dificultando a gravidez.

Por isso, vou abordar neste artigo as formas de investigar a infertilidade feminina e detectar a possível causa: uma leitura importante para a mulher que está tentando engravidar e está com dificuldades.

O que é infertilidade e como suspeitar do problema?

A infertilidade é definida como a tentativa malsucedida de engravidar por um ano de relações sexuais desprotegidas, principalmente quando a mulher está na fase mais fértil, considerando mulheres até os 35 anos. Após os 35 anos, o período de observação deve ser de seis meses.

Ainda que a infertilidade seja assintomática em boa parte dos casos, dificultando o diagnóstico precoce, alguns sintomas característicos das condições que podem alterar o funcionamento correto do sistema reprodutor feminino manifestam sintomas e devemos ficar atentos a eles.

Para que o ovário libere um óvulo, é necessário que aconteça o desenvolvimento, amadurecimento e rompimento de um folículo. A suspeita de que possa haver um problema na ovulação é levantada nas mulheres com irregularidade menstrual. Distúrbios do ciclo ovulatório são consequência de alterações nos níveis hormonais, provocadas pela síndrome dos ovários policísticos (SOP) ou distúrbios da tireoide, por exemplo.

Condições como endometriose, miomas e pólipos, também podem causar irregularidades e cólicas menstruais. Alterações na anatomia do útero também dificultam o desenvolvimento da gravidez.

Processos inflamatórios que afetam os órgãos reprodutores podem manifestar sintomas, como dor e febre. Como consequência de possíveis infecções, podemos ter o desenvolvimento de aderências pélvicas e por fim a obstrução das tubas uterinas, o que impede uma gestação natural.

Geralmente são causados por bactérias, incluindo as sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae.

Veja os sintomas manifestados por essas condições, que indicam a necessidade de procurar auxílio médico:

Sintomas provocados por irregularidades menstruais

Sintomas provocados por alterações hormonais

Sintomas provocados por inflamações

A manifestação de algum desses sintomas, isoladamente ou em associação, já são um sinal de alerta. Embora a infertilidade tenha tratamento na maioria dos casos, o diagnóstico precoce contribui para aumentar as chances de sucesso.

Como a infertilidade feminina é diagnosticada?

O diagnóstico é feito desde a consulta inicial. Nela, avalio o histórico clínico e familiar das pacientes e realizo o exame físico, que possibilita detectar algumas alterações sugestivas das condições que podem indicar infertilidade, incluindo secreção vaginal, aumento do volume ovariano, que pode indicar miomas e crescimento de pelos em locais pouco comuns, por exemplo.

Posteriormente solicito diferentes exames laboratoriais e de imagem, para investigar a causa da dificuldade para engravidar e avaliar a fertilidade. Os exames inicialmente solicitados são:

O primeiro deles é a avaliação da reserva ovariana, que indica a quantidade dos folículos e dos óvulos: conseguimos entender o potencial para desenvolvimento e amadurecimento.

Posteriormente são realizados testes hormonais, para avaliar os níveis dos hormônios envolvidos no processo reprodutivo e exames de sangue para detectar a presença de inflamações e identificar a bactéria, incluindo as sexualmente transmissíveis.

Exames de imagem, por outro lado, entre eles a ultrassonografia e a ressonância magnética, são importantes para identificar patologias como endometriose, miomas uterinos, pólipos endometriais e cistos.

Fundamental analisarmos o formato das tubas uterinas com a histerossalpingografia. Este pode ser um exame dolorido, mas é muito importante para definirmos qual será o melhor tratamento para o casal.

Quando existe histórico de doenças genéticas também solicito o rastreio. Se os exames falharem em identificar a causa, a infertilidade é diagnosticada como sem causa aparente.

Em situações especiais, podemos solicitar alguns exames complementares:

Além disso, como a infertilidade de um casal pode ser igualmente provocada por fatores femininos ou masculinos, o parceiro também deve ser investigado.

Como a infertilidade feminina é tratada?

O tratamento é individualizado, indicado de acordo com a causa que provocou o problema e pode ser farmacológico, cirúrgico ou com a utilização das técnicas de reprodução assistida.

Tratamento farmacológico

Prevê a prescrição de antibióticos quando o problema resulta de processos inflamatórios, indicados de acordo com o tipo de bactéria. Quando é provocado por agentes sexualmente transmissíveis o parceiro também deverá ser investigado e tratado.

Tratamento cirúrgico

A abordagem cirúrgica é indicada quando há obstruções nas tubas uterinas e para remoção de miomas uterinos, pólipos endometriais, tecido endometrial ectópico e aderências resultantes dos processos inflamatórios.

Nos casos em que a fertilidade não é restaurada após essas abordagens, para mulheres com distúrbios de ovulação ou quando a infertilidade causou danos mais sérios, recomento o tratamento por técnicas de reprodução assistida, de acordo com a necessidade de cada paciente.

Técnicas de reprodução assistida

Relação sexual programada (RSP) e inseminação artificial (IA) são técnicas de baixa complexidade, que preveem a fecundação de forma natural, nas tubas uterinas. Por isso são indicadas particularmente para mulheres com até 35 anos, que ainda possuam uma boa reserva ovariana e com as tubas uterinas saudáveis.

Além dos problemas de ovulação, elas possibilitam ainda o tratamento quando a endometriose está nos estágios iniciais, quando a doença ainda não provocou a formação de aderências.

Na FIV (fertilização in vitro), de maior complexidade, a fecundação ocorre em laboratório. É mais adequada para mulheres acima de 36 anos, com obstruções nas tubas uterinas ou quando a infertilidade é causada por fatores mais graves, incluindo endometriose em estágios mais avançados.

Para saber mais sobre a infertilidade feminina, toque aqui.

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