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Dr. Alexandre Lobel
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Infecção por clamídia

por Alexandre Lobel

Com alta prevalência em mulheres e homens em vida sexual ativa, a clamídia é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que resulta em diferentes complicações para a saúde reprodutiva, inclusive infertilidade.

Causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, é transmitida por relação sexual desprotegida com pessoas infectadas. Apesar de ser facilmente tratada, o tratamento não repara os danos provocados por ela.

Embora manifeste sintomas em alguns casos, na maioria das vezes é assintomática, dificultando o diagnóstico precoce. Além de problemas de fertilidade, a bactéria pode estimular o desenvolvimento de outras inflamações, com potenciais riscos para a saúde feminina e masculina.

Este texto aborda as causas, sintomas que indicam a necessidade de buscar auxílio médico, diagnóstico e tratamento da doença, além de destacar as complicações causadas pela bactéria.

Quais são os fatores de risco para a transmissão por clamídia?

O principal fator de risco é a prática de relações sexuais sem proteção, uma vez que a bactéria Chlamydia trachomatis é transmitida pelo sexo vaginal, oral e anal. Alguns fatores, entretanto, contribuem para aumentar ainda mais o risco:

Ser sexualmente ativo antes dos 25 anos: a infecção é mais prevalente principalmente entre mulheres jovens, porém atualmente os índices entre a faixa etária dos 15 aos 25 anos se apresentam cada vez mais elevados no mundo todo, em ambos os sexos.

Histórico anterior de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs): na maioria das vezes, a infecção por clamídia está associada à gonorreia, transmitida pela bactéria Neisseria gonorrhoeae.

Para evitar a infecção por clamídia e a transmissão da bactéria, é imprescindível o uso de preservativos em todas as relações sexuais.

Quais são os sintomas manifestados pela infecção por clamídia?

Mesmo que a maioria das pessoas infectadas não apresente nenhuma sintomatologia, alguns sintomas sinalizam para a presença da bactéria Chlamydia trachomatis e contribuem para que a infecção seja diagnosticada precocemente.

No entanto, muitas vezes eles ocorrem de forma leve e não duram muito tempo, por isso é importante ficar atento a qualquer sinal. Os mais comuns em mulheres e homens são:

Sintomas femininos de infecção por clamídia

Nas mulheres, os sintomas geralmente se manifestam em maior intensidade e incluem sangramento entre os períodos menstruais acompanhado por dor em cólica, corrimento vaginal amarelado e abundante, dor durante as relações sexuais, micção frequente e urgente muitas vezes com sensação de queimação, inchaço na vagina ou ao redor do ânus e febre baixa.

Sintomas masculinos de infecção por clamídia

Já nos homens os mais comuns são secreção peniana, normalmente aquosa e leitosa e dor com sensação de queimação ao urinar. Porém, inchaço e sensibilidade nos testículos e irritação no ânus ou sangramento retal também podem indicar a presença da bactéria.

Se houver a percepção de algum sintoma, um especialista deve ser imediatamente consultado.

Quais complicações a clamídia pode provocar?

Quando afeta as mulheres, a infecção por clamídia pode evoluir para doença inflamatória pélvica (DIP). Ela causa inflamações no útero, ovários e tubas uterinas e a formação de aderências, que podem obstruir as tubas uterinas e dificultar o processo de fecundação.

A endometrite, inflamação do endométrio, também pode ocorrer como consequência da infecção, provocando falhas na implantação do embrião.

As mulheres infectadas têm risco de transmitir a bactéria para o feto pelo canal vaginal. Clamídia em recém-nascidos pode causar pneumonia ou infecção ocular grave.

A possibilidade de a infecção por clamídia evoluir para diferentes tipos de inflamação nos homens, da mesma forma, é bastante alta. As mais comuns são epididimite, do epidídimo, uretrite, da uretra, e prostatite, da próstata.

Os epidídimos, canais que saem dos testículos e por onde passam os espermatozoides durante o processo de amadurecimento para serem transportados até que sejam ejaculados, e a próstata, importante para a formação do fluído seminal e nutrição dos gametas, quando afetados por inflamações, causam alterações na produção ou qualidade dos espermatozoides.

O contato com secreções infectadas, pode resultar também em inflamação ocular, um tipo de conjuntivite conhecido como tracoma, com diferentes prejuízos para a visão.

Como a infecção por clamídia é diagnosticada?

Além da manifestação dos sintomas, o rastreio para clamídia deve ser feito obrigatoriamente por pessoas com histórico de IST ou que tiveram contato com outras infectadas. Mulheres grávidas também podem ser submetidas ao teste durante os exames de pré-natal.

São considerados ainda grupos de risco mulheres sexualmente ativas com menos de 25 anos, uma vez que os índices de infecção são mais altos nessa faixa etária. Nesses grupos, a triagem deve ser feita pelo menos anualmente.

A clamídia é diagnosticada a partir da análise de amostras da urina ou de secreções, que possibilitam a identificação da bactéria.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento, diminui os índices de recorrência da infecção e de complicações, incluindo infertilidade.

Como a infecção por clamídia é tratada?

O tratamento para infecção por clamídia é bastante simples e prevê a administração de antibióticos em dose única ou ciclos de menor duração. Indica-se o tratamento do parceiro.

No entanto, mesmo que a medicação contenha a infecção, não repara nenhum dano permanente causado por ela. É importante, portanto, seguir criteriosamente as orientações médicas, uma vez que a recorrência é bastante comum, principalmente nos casos em que o parceiro não é tratado. A infecção recorrente aumenta ainda mais as chances de complicações.

O rastreio deve ser novamente realizado cerca de três meses após o tratamento da infecção inicial.

A abstenção sexual é recomendada por até sete dias quando os antibióticos são ministrados em dose única ou até o término de um ciclo de tratamento.

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