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Dr. Alexandre Lobel
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ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide): o que é?

por Alexandre Lobel

Desde a década de 1970 a fertilidade feminina começou a ser abordada de uma maneira diferente. A solução surgiu com o desenvolvimento da FIV (fertilização in vitro). No entanto, foi apenas em 1992, com a incorporação da injeção intracitoplasmática (ICSI), que os problemas masculinos de maior gravidade passaram a ter tratamento.

O método, atualmente, é o mais utilizado pelas clínicas de reprodução assistida para infertilidade masculina e feminina. A FIV é considerada a principal técnica de reprodução assistida e desde o seu desenvolvimento registra milhares de nascimentos no mundo todo.

Para entender como é realizado o tratamento por FIV com ICSI continue a ler este texto. Nele abordo ainda como ele se diferencia de FIV clássica e as taxas de sucesso.

O que é ICSI e como ela é realizada?

A injeção intracitoplasmática (ICSI) é um método para a fecundação dos gametas, que prevê a injeção do espermatozoide diretamente no citoplasma do óvulo, aumentando, assim, as chances de ele ser fecundado.

O tratamento por FIV com ICSI é particularmente indicado para infertilidade masculina causada por azoospermia (quando há ausência de espermatozoides no sêmen), problemas na morfologia e motilidade dos espermatozoides ou bloqueios que impedem o transporte dele até as tubas uterinas.

A FIV com a ICSI nos auxilia na fecundação dos óvulos, para assim obtermos um maior número de embriões, o que consequentemente aumenta nossa chance de sucesso. Isso é muito importante, principalmente para mulheres com obstruções nas tubas uterinas, endometriose grave, alguns tipos de miomas ou se não houver sucesso com o uso das técnicas de menor complexidade.

Nos casos em que os óvulos foram congelados, também é necessária a realização de ICSI. Isso porque, após o descongelamento, a camada externa do óvulo, chamada de zona pelúcida, está muito dura, assim há maior dificuldade de o espermatozoide fecundar naturalmente o óvulo

Porém, a FIV com ICSI por ser utilizada por qualquer pessoa com problemas de fertilidade, independentemente da causa. O método é adotado em todos os ciclos do tratamento, até que gravidez seja confirmada.

Antes de indicar o tratamento, entretanto, solicito diversos exames para mulheres ou homens, para determinar a causa de infertilidade e, assim, consigo definir o método mais adequado para cada paciente.

A FIV com ICSI, assim como a FIV clássica, é realizada em cinco diferentes etapas. A fecundação é uma delas. Acompanho a paciente desde a consulta inicial ao resultado da gravidez.

1. Estimulação ovariana e indução da ovulação: é um procedimento realizado com medicamentos hormonais com o objetivo de estimular o desenvolvimento de múltiplos folículos, obtendo mais óvulos para fecundação. Exames de ultrassonografia realizados periodicamente indicam o melhor momento para eles serem induzidos ao amadurecimento final, etapa importante para a sua captação.

2. Punção folicular e coleta de sêmen: a ovulação ocorre em mais ou menos 36 horas, quando os folículos maduros são coletados por punção folicular e posteriormente preparados em laboratório. Ao mesmo tempo o sêmen é coletado e os espermatozoides com melhor morfologia e motilidade selecionados pelo preparo seminal.

3. Fecundação-ICSI: a fecundação ocorre em laboratório. O espermatozoide é novamente avaliado por um microscópio potente. Apenas após ter a qualidade confirmada é injetado diretamente no citoplasma do óvulo por um aparelho chamado micromanipulador de gametas, acoplado ao microscópio.

4. Cultivo embrionário: os embriões são posteriormente cultivados em laboratório por até seis dias, processo acompanhado diariamente.

5. Transferência do embrião: o embrião pode ser transferido em duas etapas de desenvolvimento: D3 ou clivagem, entre o segundo e terceiro dia e blastocisto ou D5, entre o quinto e sexto dia. Defino a melhor etapa de acordo com diversos aspectos, sempre em conjunto com o casal.

A gravidez pode ser confirmada após 15 dias quando o hormônio hCG já está presente no sangue ou urina. Ou seja, pode ser confirmada por testes de gravidez comumente vendidos em farmácias, ou por exames de sangue. Embora geralmente solicite os exames de sangue: além de mais precisos, eles indicam como a gestação está evoluindo. Se a gravidez não ocorrer, repetimos os mesmos passos novamente.

Qual a diferença entre a FIV com ICSI e a FIV clássica?

Na FIV clássica, óvulos e espermatozoides são colocados juntos em uma placa de cultura para que a fertilização ocorra como em um processo natural: o espermatozoide se prende a camada externa do óvulo empurrando-a para o interior dele (citoplasma), onde ocorre a fecundação.

No entanto, mesmo após serem selecionados pelo preparo seminal, alguns espermatozoides com defeitos mais sutis não observados, podem ter dificuldades para penetrar a camada externa, levando a falhas na fecundação.

Como a injeção intracitoplasmática prevê a injeção do espermatozoide diretamente no citoplasma do óvulo para que a fecundação ocorra, as possíveis falhas são bastante minimizadas e assim as chances de a fecundação ocorrer são maiores.

A FIV com ICSI é a técnica que apresenta os maiores percentuais de fertilização: aproximadamente 70 a 80%.

Gostou do post? Conheça nosso conteúdo sobre FIV para saber mais detalhadamente sobre o funcionamento da técnica.

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