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Dr. Alexandre Lobel
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Hipotireoidismo

por Alexandre Lobel

Hipotireoidismo é um distúrbio da tireoide que causa a diminuição ou interrupção dos hormônios produzidos pela glândula. Por não apresentar sintomas nos estágios iniciais, muitas vezes é tratado tardiamente, provocando diversas complicações para a saúde, incluindo infertilidade.

Localizada no pescoço, abaixo da laringe, a tireoide é uma glândula que produz hormônios importantes para controlar o metabolismo das células. Além disso, eles também contribuem para equilibrar a temperatura corporal, frequência cardíaca e para produção das células sexuais femininas e masculinas.

O hipotireoidismo, chamado ainda tireoide hipoativa, ocorre mais frequentemente em mulheres acima dos 40 anos e geralmente se repete em outros membros da família. No entanto, o tratamento é bastante simples, embora seja diário e durante toda a vida.

Este texto explica o hipotireoidismo. Aborda as causas que provocam a doença, sintomas, a forma como ela interfere na fertilidade, métodos diagnósticos e tratamento.

Principais causas de hipotireoidismo

Uma doença autoimune conhecida como tireoidite de Hashimoto, em que anticorpos afetam a capacidade de a tireoide produzir hormônios, é a causa mais comum de hipotireoidismo.

No entanto, o distúrbio também pode ocorrer em resposta ao tratamento de hipertireoidismo, condição contrária, caracterizada pela alta produção de hormônios tireoidianos. Ou seja, embora o tratamento tenha como propósito reduzir a produção de hormônios, pode causar uma redução intensa e, consequentemente, hipotireoidismo permanente. Outras causas de hipotireoidismo são:

Da mesma forma, embora com menor frequência, o hipotireoidismo também pode resultar de problemas congênitos na glândula ou da deficiência de iodo.

Sintomas manifestados pelo hipotireoidismo

Apesar de ser assintomático nos estágios iniciais, à medida que se desenvolve, o hipotireoidismo provoca a manifestação de diferentes sintomas, que indicam a necessidade de procurar auxílio médico. Eles ocorrem de acordo com a gravidade da deficiência hormonal:

Quando o hipotireoidismo é diagnosticado precocemente, entretanto, as chances de complicações diminuem, incluindo infertilidade.

Métodos para diagnosticar o hipotireoidismo

O diagnóstico de hipotireoidismo é feito a partir da análise dos níveis de TSH, hormônio produzido pela hipófise, que estimula os hormônios tireoidianos tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4). A tiroxina também pode ser avaliada.

Níveis mais altos de TSH e mais baixos de tiroxina indicam baixa atividade da tireoide. Ao mesmo tempo que possibilita o diagnóstico precoce antes mesmo que ocorra a manifestação dos sintomas, o exame é fundamental para o controle da doença e dosagens do medicamento.

Também contribui para detectar o hipotireoidismo subclínico, um tipo menos severo da doença, em que há uma pequena diminuição dos hormônios tireoidianos, porém concentrados dentro da faixa de normalidade.

Se houver suspeita de o hipotireoidismo ser causado pela tireoidite de Hashimoto, testes para detectar anticorpos da tiroide devem ser realizados.

Entenda como o hipotireoidismo pode afetar a fertilidade

Assim como os hormônios sexuais e as gonadotrofinas FSH (hormônio folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante), a produção de óvulos e espermatozoides também é estimulada pelos hormônios tireoidianos.

Mesmo que raramente o hipotireoidismo ocorra em homens, pode causar alterações nos níveis de testosterona e, consequentemente, na produção e qualidade dos gametas masculinos ou disfunção erétil.

Nas mulheres, por outro lado, provoca alteração nos níveis dos hormônios responsáveis pelo crescimento, desenvolvimento e maturação dos folículos (bolsas que armazenam os óvulos), resultando em distúrbios de ovulação, uma das principais causas de infertilidade feminina.

Interfere também na implantação do embrião e desenvolvimento da gravidez. Uma das consequências do hipotireoidismo, por exemplo, é uma condição conhecida como defeito da fase lútea, período que encerra o ciclo menstrual, quando ocorre a preparação final do endométrio para receber o embrião e abrigá-lo até a formação da placenta.

Quando ele não é tratado, mulheres com hipotireoidismo causado pela tireoidite de Hashimoto têm risco aumentado de aborto espontâneo repetido, parto prematuro e pré-eclâmpsia durante a gravidez, da mesma forma que o desenvolvimento do feto pode ser afetado.

Abortos espontâneos repetidos também são característicos do hipotireoidismo subclínico. Hipotireoidismo e hipotireoidismo subclínico interferem no processo de gestação natural e nos tratamentos por fertilização in vitro (FIV).

Tratamento indicado para o hipotireoidismo

O tratamento para o hipotireoidismo é realizado pela terapia de reposição com o hormônio tireoidiano sintético. Ainda que seja diário e vitalício, proporciona o controle dos sintomas, regulando, inclusive, os níveis dos hormônios responsáveis pela produção dos gametas femininos e masculinos, garantindo maior qualidade de vida para os portadores da doença.

O medicamento, entretanto, tende a causar algumas reações colaterais no início do tratamento, ente elas insônia, aumento do apetite, palpitações cardíacas e tremor. Porém, no decorrer do tratamento a dosagem é ajustada e os efeitos naturalmente diminuem e cessam.

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