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Dr. Alexandre Lobel
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Endometriose: quais são os sintomas

por Alexandre Lobel

As pacientes que me procuram no meu consultório sofrem muito até conseguirem um diagnóstico preciso. Parece mentira, mas um estudo mostrou que 44% das mulheres demoram pelo menos 5 anos até descobrirem o que está causando todos aqueles sintomas!

A endometriose é uma doença de difícil diagnóstico, o que faz com a mulher muitas vezes demore anos para ter certeza de que tem a doença. No entanto, alguns sintomas podem ajudar a levantar a suspeita, fazendo com que a sua portadora procure um médico.

Os sintomas de endometriose podem, por vezes, se confundir com os de outras condições. Muitas doenças manifestam sintomas semelhantes e, por isso, a investigação deve ser detalhada. Há vezes em que a doença não manifesta sintomas.

Por ser uma doença de caráter progressivo, ela pode ter impacto na autoestima da mulher e, em alguns casos, levar até mesmo à infertilidade. Essa doença se faz presente em, ao menos, 70 milhões de mulheres ao redor do mundo.

Quer saber um pouco mais sobre os sintomas e o diagnóstico da endometriose? Acompanhe comigo o texto.

O que é endometriose, causas e fatores de risco?

A endometriose é uma doença que ocorre quando as células do tecido endometrial, que reveste a parede uterina, se desenvolvem fora de seu local original, sendo encontradas fora do útero. Isso induz reações inflamatórias crônicas.

É no endométrio que o embrião se implanta, dando início à gravidez. O tecido endometrial é regulado pelo estrogênio, hormônio produzido no ovário e que é responsável pelo corretor funcionamento do ciclo menstrual.

Esse hormônio faz com que tal tecido aumente de espessura a fim de facilitar a implantação embrionária. Esse aumento de espessura ocorre mesmo quando o tecido endometrial se localiza fora do útero, fazendo com que os órgãos afetados pela sua presença se inflamem.

As causas da endometriose são desconhecidas, embora a teoria da menstruação retrógrada seja a mais comumente associada ao seu surgimento.

Alguns fatores de risco, no entanto, podem ser citados. O histórico familiar é um desses fatores, já que mulheres cuja mãe ou irmã têm tal patologia apresentam maior risco de desenvolvê-la também. Mulheres com ciclos menstruais curtos ou fluxo menstrual intenso também apresentam risco maior de desenvolver tal doença.

Fatores ambientais também têm influência na endometriose, sendo poluentes químicos e tabaco associados ao risco de desenvolvimento dela. Além disso, alguns alimentos podem aumentar ou diminuir a excreção de estrogênio, estando conectados à endometriose.

Classificações

A endometriose é dividida em diferentes classificações de acordo com seu tipo de manifestação. Essa classificação tem o objetivo de universalizar o entendimento sobre tal doença.

Dessa forma, a endometriose superficial peritoneal é caracterizada pelo surgimento de pequenas lesões na região pélvica, que não provocam alterações anatômicas graves nos órgãos afetados.

A endometriose ovariana ocorre quando o tecido endometrial se implanta nos ovários e, dependendo do tamanho das lesões formadas, afeta-se a fertilidade da mulher, já que a formação de cistos pode interferir na qualidade e quantidade de óvulos da paciente.

A endometriose tipo infiltrativa profunda dá-se por lesões com profundidade igual ou superior a 5 mm, que podem se localizar em outros órgãos além dos que compõe o sistema reprodutivo feminino. Essa é considerada a forma mais agressiva da doença e é caracterizada pela abrangência de uma área maior.

Ela também recebe as classificações de mínima, leve, moderada ou profunda, de acordo com o grau de manifestação.

Quais são os sintomas?

A endometriose pode muitas vezes ser assintomática. Quando manifesta sintomas, eles podem ser de grande auxílio para seu diagnóstico. Esses sintomas em comum manifestados por diferentes pacientes levaram a uma categorizarão dos sinais que parecem mais fortemente associados a essa doença.

Tais sintomas podem variar de intensidade. Um dos sintomas é a cólica menstrual, que pode se manifestar de forma mais intensa, ocorrendo de forma acíclica, ou seja, sem estar necessariamente relacionada ao ciclo menstrual da paciente.

Algumas mulheres também relatam sentir dores durante as relações sexuais, estando essas dores associadas à presença da endometriose. Tais dores podem causar também uma forte rigidez muscular, fruto de uma tensão muscular involuntária, que fazem com que a sensação de dor seja ainda mais intensa.

Os sintomas podem variar também de acordo com o tipo de manifestação da doença. Quando o tecido endometrial se encontra em órgãos como os ovários, levando à formação de cistos, tem-se como sintoma a dor pélvica.

Quando tal tecido se encontra em outros órgãos, como a bexiga ou os intestinos, pode ocorrer uma alteração no funcionamento deles, prejudicando o bem-estar da mulher.

A dor crônica e a infertilidade também são sintomas a serem mencionados, especialmente quando tem-se a endometriose infiltrativa profunda, que também está associada à morbidade física e emocional. Dessa forma, quanto mais cedo for realizado seu diagnóstico, menor será a interferência na vida da mulher.

Possibilidades de tratamento

Muitos tratamentos diferentes podem ser feitos para a endometriose, e a escolha deles depende dos sintomas manifestados, da extensão e da localização da doença. É importante também levar em consideração a idade da paciente e o desejo de engravidar.

Pode-se tratar a endometriose por meio da administração de medicamentos hormonais, como os anticoncepcionais e o DIU hormonal. Pacientes com sintomas fortes podem utilizar-se de anti-inflamatórios a fim de diminuí-los.

Medicamentos de base hormonal têm o objetivo de suprimir a ovulação, de modo a inibir o crescimento e a manutenção dos implantes da doença. Em alguns casos, é necessário cauterizar e retirar cirurgicamente as lesões presentes.

Quando há alterações anatômicas em órgãos, pode ser necessária a intervenção cirúrgica, uma vez que tais alterações podem interferir na fertilidade. Casos mais severos podem exigir intervenção cirúrgica.

Mulheres diagnosticadas com infertilidade que desejam engravidar podem recorrer a métodos de reprodução assistida, cuja recomendação dá-se pelo médico, que deve analisar as causas da infertilidade a fim de decidir qual é o método mais indicado.

Essa análise passa também por uma visualização da cavidade uterina. A depender do resultado, a FIV (fertilização in vitro) pode ser a mais indicada, devido às suas altas taxas de sucesso.

A endometriose é uma doença crônica que afeta mulheres, e seus sintomas podem auxiliar em seu diagnóstico. Compartilhe esse texto em suas redes sociais para ajudar a informar mais mulheres.

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