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Dr. Alexandre Lobel
Dr. Alexandre Lobel

Doação de sêmen

por Alexandre Lobel

Homens que sofrem com infertilidade e não conseguem engravidar a parceira com gametas próprios após tratamento podem contar com a doação de sêmen.

Para um homem ser doador, a saúde deve ser clinicamente comprovada. Para isso, são realizados exames específicos, como rastreio de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e de doenças genéticas, assim como as amostras são analisadas para confirmar a saúde dos espermatozoides.

Após a confirmação, o sêmen é congelado. A doação pode ser feita para clínicas de reprodução assistida ou bancos de esperma. No Brasil, entretanto, o Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão que regulamenta a reprodução assistida no país, determina que o processo deve ser anônimo a não pode ter caráter lucrativo ou comercial.

Este texto explica o funcionamento da doação de sêmen, destaca os casos em que o procedimento é indicado e as regras nacionais.

Em quais casos a doação de sêmen é indicada?

Além da falta de sucesso nos tratamentos com gametas próprios, incluindo a FIV (fertilização in vitro), a utilização de sêmen doado é indicada para homens em que não encontramos espermatozoides (nem mesmo na biópsia testicular), condição conhecida como azoospermia, se houver riscos de transmissão de doenças genéticas para os filhos, quando os patógenos de ISTs permanecem no sêmen mesmo após o uso de antibióticos e se a mulher for aloimunizada, ou seja, for Rh-negativo e o homem é Rh-positivo, uma vez que a incompatibilidade de Rh causa a destruição das hemácias do feto ou dos recém-nascidos.

Desde 2013, o CFM ampliou o uso das técnicas para casais homoafetivos e pessoas solteiras. A doação de sêmen também é importante para casais homoafetivos femininos concretizarem os planos de ter filhos e mulheres solteiras que desejam uma gravidez independente.

Entenda como a doação de sêmen funciona

Os doadores são escolhidos de acordo com as características biológicas do casal, e o sêmen doado é utilizado em tratamentos de reprodução assistida, como a inseminação intrauterina (IIU), também chamada de inseminação artificial (IA), e a FIV.

Antes de o tratamento iniciar, a mulher que vai gerar a criança deve ser submetida a diferentes exames laboratoriais e de imagem. Entre os laboratoriais está a avaliação da reserva ovariana, que possibilita determinar a quantidade dos gametas femininos. Já os de imagens têm como propósito confirmar a saúde dos órgãos reprodutores e a capacidade de sustentar a gestação.

Os resultados diagnósticos orientam a escolha da técnica mais adequada. A inseminação intrauterina (IIU), por exemplo, como a fecundação ocorre naturalmente nas tubas uterinas, elas devem estar saudáveis. A técnica é indicada para mulheres até 35 anos, com problemas de ovulação, endometriose nos estágios iniciais, infertilidade sem causa aparente (ISCA), aderências leves e alterações no muco cervical.

Já a FIV é indicada para mulheres acima de 35 anos, com problemas de obstruções nas tubas uterinas ou outros fatores graves de infertilidade.

Nas duas técnicas, a primeira etapa do tratamento é a estimulação ovariana, realizada com medicamentos hormonais semelhantes aos produzidos pelo organismo com o objetivo de estimular o desenvolvimento e amadurecimento de uma quantidade maior de folículos.

Na IIU, o ciclo é estimulado com o objetivo de obter até três óvulos maduros. Na FIV, como a fecundação ocorre em laboratório, busca-se um número muito maior de folículos.

Em ambas as técnicas, simultaneamente, os melhores espermatozoides são escolhidos por técnicas de preparo seminal.

O crescimento dos folículos é acompanhado periodicamente por ultrassonografia transvaginal, que possibilita determinar quando eles atingem o tamanho ideal para a ovulação ser induzida, também por medicamentos hormonais.

Na IIU, a inseminação é realizada nesse momento. Os melhores gametas são inseridos em um cateter e depositados no útero.

Cerca de 36 horas após a administração do medicamento a ovulação ocorre. Na FIV, os folículos são aspirados por punção folicular antes do rompimento, e os óvulos são levados ao laboratório.

A fecundação também ocorre no laboratório. Atualmente, o método mais utilizado é a FIV com injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI). Nesse método de fecundação, cada espermatozoide é injetado diretamente no óvulo por um aparelho acoplado a ele chamado micromanipulador de gametas, aumentando as chances de gravidez, principalmente para homens com alterações graves no sêmen.

Os embriões formados são cultivados por até seis dias e transferidos para o útero. Ainda que as taxas de gravidez sejam significativas na IIU, a FIV é a técnica de reprodução assistida que possui os percentuais mais altos de sucesso por ciclo de realização.

Regras para doação de sêmen no Brasil

As regras determinadas pelo CFM para a doação de sêmen incluem:

A doação não poderá ter caráter lucrativo ou comercial;

Doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa;

A idade limite para a doação de sêmen é de 50 anos;

A idade limite para a mulher que vai gerar a criança também é de 50 anos, mas situações especiais podem ser avaliadas individualmente;

As clínicas, centros ou serviços onde são feitas as doações devem manter, de forma permanente, um registro com dados clínicos de caráter geral, características fenotípicas e uma amostra de material celular dos doadores, de acordo com legislação vigente;

O número de embriões a serem transferidos não pode ser superior a quatro, de acordo com a idade da mulher: até 35 anos, 1 ou 2 embriões, de 36 a 39 anos, até 3 embriões e acima dos 40 anos, até 4 embriões.

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