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Dr. Alexandre Lobel
Dr. Alexandre Lobel

Diferenças entre as técnicas de reprodução assistida

por Alexandre Lobel

A infertilidade afeta homens e mulheres no mundo todo. Existem diversos fatores que podem explicar a dificuldade para um casal conseguir engravidar, que podem ser provocadas tanto por fatores femininos, como masculinos.

Para ser diagnosticado como infértil, e é preciso um ano de tentativas com relações sexuais desprotegidas, regulares, sem sucesso. Apenas após esse período, fazemos a investigação para identificar as possíveis causas que estão resultando na dificuldade para engravidar.

As técnicas de reprodução assistida são consideradas o principal tratamento para infertilidade feminina e masculina. Quando um casal me procura para tentar engravidar, sempre tento pensar qual seria o tratamento mais indicado para aquele caso. Para isso, levo em consideração todas as características físicas, doenças e também penso no desejo dos dois. Ou seja, o tratamento é individualizado.

Explico, neste texto, o funcionamento das principais técnicas de reprodução assistida, destacando as diferenças entre elas e a indicação de cada uma.  

Principais técnicas de reprodução assistida e diferenças entre elas

Embora os percentuais de infertilidade atualmente registrados sejam bastante altos, na maioria dos casos tem tratamento. A infertilidade é uma situação tão importante que a Organização Mundial da Saúde (OMS) o considera como um problema de saúde pública mundial.

Para definir a técnica mais adequada para cada caso, solicito diferentes exames laboratoriais e de imagem, indicados a partir da consulta inicial com os pacientes. Eles possibilitam a detecção da causa que pode provocar a dificuldade para conceber.

Somente após os resultados diagnósticos defino o tratamento mais adequado para cada paciente.

As três principais técnicas de reprodução assistida são a relação sexual programada (RSP) e a inseminação artificial (IA), de baixa complexidade e a fertilização in vitro (FIV), de alta complexidade. Conheça abaixo o funcionamento e indicação de cada uma e as principais diferenças entre elas.

Técnicas de baixa complexidade

A RSP e IA são consideradas de baixa complexidade pois a fecundação acontece naturalmente, nas tubas uterinas. O processo é conhecido com in vivo. Por isso, são técnicas que geralmente indico para mulheres com até 35 anos, que tenham uma boa reserva ovariana e a as tubas uterinas saudáveis.

As duas técnicas são particularmente importantes para tratar os distúrbios de ovulação – quando há ausência de ovulação (anovulação) ou ovulação intermitente (oligovulação), que pode ocorrer em um ciclo e ser ausente em outro – além de possibilitarem a gestação nas pacientes com endometriose nos estágios iniciais e nos casos de infertilidade sem causa aparente (ISCA).

Elas iniciam com a estimulação ovariana, procedimento realizado com medicamentos hormonais administrados no início do ciclo menstrual, com o propósito estimular o desenvolvimento de mais folículos e obter de um a três folículos de tamanho adequado, aumentando as chances de fecundação.

No ciclo natural, por exemplo, vários folículos são recrutados, mas apenas um desenvolve e amadurece para posteriormente ovular. No estímulo ovariano, promovemos o crescimento de mais de um folículo. Quando conseguimos dois folículos, por exemplo, aumentamos a chance de gravidez, isso porque é como se “juntássemos” dois meses de tentativa em um.

Esse controle do estímulo ovariano é feito com exames de ultrassonografia transvaginal para monitorar e definir o período de maior fertilidade.

Na relação sexual programada, chamada ainda coito programado, os espermatozoides devem estar dentro dos parâmetros considerados normais, uma vez que o objetivo da técnica é a estimulação ovariana e programação do momento mais adequado para intensificar a relação sexual. Se houver alguma alteração nos parâmetros seminais, a chance de gestação será menor.

Na inseminação artificial (IA), também conhecida como inseminação intrauterina (IIU), por outro lado, os espermatozoides são depositados no útero durante o período fértil para que a fecundação aconteça. Os espermatozoides podem ter pequenas alterações na morfologia e na motilidade, pois a técnica prevê a seleção dos mais capacitados por técnicas de preparo seminal.

A IA foi investigada pela primeira vez durante o século dezoito para solucionar problemas de infertilidade masculina causados por disfunção sexual. Posteriormente evoluiu ao ser incorporada aos tratamentos de reprodução assistida. Assim, homens com disfunção erétil (quando há dificuldades em ter ou manter a ereção) ou com disfunção ejaculatória (quando existe dificuldade de ejacular), também podem ser beneficiados pela técnica.

Após a seleção dos espermatozoides com melhor motilidade e morfologia, eles são inseridos em um cateter e depositados no útero durante o período de maior fertilidade apontado pelos exames de ultrassonografia. O procedimento é bastante simples e rápido, sem necessidade de sedação. Após um pequeno descanso libero as pacientes, que podem retornar normalmente à suas atividades.

Fertilização in vitro (FIV) – de alta complexidade

Na FIV, óvulos e espermatozoides são fecundados em laboratório, in vitro, por isso o procedimento é considerado de alta complexidade. O tratamento é realizado em diferentes etapas.

Assim como as técnicas de menor complexidade inicia com a estimulação ovariana. Na FIV com ICSI, entretanto, o objetivo é obter uma quantidade maior de óvulos. Os exames de ultrassonografia indicam o momento ideal para os folículos serem induzidos ao amadurecimento final para coleta dos óvulos.

Nesse período os folículos maduros são aspirados com uma agulha fina e os óvulos coletados são levados ao laboratório. Ao mesmo tempo que ocorre a punção folicular o sêmen é coletado e os espermatozoides mais saudáveis selecionados pelo preparo seminal.

Quando eles não estão presentes no sêmen, condição chamada azoospermia, podem ainda ser coletados dos epidídimos ou dos testículos, por um procedimento cirúrgico.

Os gametas selecionados são, então, fecundados em laboratório por FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), que prevê a injeção de cada espermatozoide diretamente no citoplasma do óvulo. Dessa forma, há maiores chances de a fecundação ocorrer.

Quais são as taxas de sucesso das técnicas de reprodução assistida?

Em todas as três técnicas é possível obter a gravidez. Na RSP e IA, as taxas são semelhantes às da gestação natural: entre 10% a 25% por ciclo. Na FIV com ICSI, por outro lado, as taxas são bem mais expressivas. As taxas registradas atualmente são de cerca de 10% a 55% por ciclo. As taxas de sucesso em todos os tratamentos dependem de diversos fatores, mas principalmente da idade da mulher.

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