Coito programado (relação sexual programada) » Dr. Alexandre Lobel Coito programado (relação sexual programada) » Dr. Alexandre Lobel
Dr. Alexandre Lobel
Dr. Alexandre Lobel

Coito programado (relação sexual programada)

por Alexandre Lobel

Quando há problemas de infertilidade feminina como disfunção na ovulação, provocada por exemplo pela síndrome dos ovários policísticos (SOP), endometriose nos estágios iniciais ou se a infertilidade for diagnosticada como sem causa aparente (ISCA), a primeira indicação de tratamento pode ser a relação sexual programada (RSP), também conhecido como coito programado.

Considerada a mais simples das técnicas de reprodução assistida, assim como a inseminação intrauterina, é de baixa complexidade, pois a fecundação ocorre naturalmente nas tubas uterinas.

No entanto, é indicada principalmente para mulheres com até 35 anos que tenham as tubas uterinas saudáveis, da mesma forma que os espermatozoides do parceiro também devem estar dentro dos padrões de normalidade.

Este texto explica como funciona o tratamento por relação sexual programada e os possíveis riscos provocados por ele.

Entenda como a relação sexual programada funciona

A relação sexual programada é a primeira indicação para mulheres com problemas de ovulação, incluindo a falha em liberar o óvulo, condição conhecida como anovulação ou ausência de ovulação. A principal causa dessa alteração é a síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Os distúrbios de ovulação são considerados a principal causa de infertilidade feminina no mundo todo.

Além da anovulação, têm ainda como característica a baixa produção de óvulos e são causados principalmente por irregularidades no ciclo menstrual, que por sua vez resultam de alterações hormonais.

Sintomas que indicam o problema podem ser facilmente percebidos, o que contribui bastante para que o diagnóstico seja realizado precocemente, aumentando ainda mais as chances de o tratamento ser bem-sucedido.

Irregularidades menstruais têm como principais características a ocorrência de ciclos continuamente fora dos intervalos normais, mais curtos ou longos, com fluxo menstrual em maior ou menor quantidade, ou ausência de menstruação.

As alterações hormonais, por outro lado, podem ser percebidas quando há crescimento anormal de pelos, alterações na pele, incluindo acne e ressecamento, queda de cabelo, cansaço e ganho súbito de peso, por exemplo.

Podem resultar de diferentes condições, entre elas a endometriose, inclusive nos estágios inicias, quando tende a provocar alterações no endométrio e, consequentemente, falhas na implantação do embrião.

Antes de serem submetidas, as pacientes devem realizar exames, entre eles a avaliação da reserva ovariana, que possibilita determinar a quantidade e qualidade dos gametas femininos.

Testes para avaliar os níveis hormonais também são realizados, assim como exames de imagem para confirmar a saúde das tubas uterinas, como a histerossalpingografia.

A saúde dos espermatozoides do parceiro também deve ser confirmada. O exame padrão para avaliar a fertilidade masculina é o espermograma, que permite detectar alterações na forma (morfologia) e movimento (motilidade) dos espermatozoides, assim como no sêmen.

Após os resultados diagnósticos, o tratamento inicia com a estimulação ovariana, que tem como objetivo estimular o crescimento, desenvolvimento e amadurecimento de mais folículos (bolsas que armazenam os óvulos).

Em um ciclo natural, embora vários folículos cresçam, apenas um se desenvolve e amadurece para posteriormente ovular. Na relação sexual programada, o ciclo é pouco estimulado, uma vez que o objetivo é obter até três óvulos maduros para não aumentar o risco de gestação gemelar.

O procedimento é realizado com a utilização de medicamentos hormonais. Assim como os hormônios naturais, secretados no início do ciclo menstrual, são administrados nos primeiros dias da menstruação.

O crescimento e desenvolvimento dos folículos é periodicamente acompanhado por ultrassonografias transvaginais e por exames de sangue, possibilitando, dessa forma, determinar o período de maior fertilidade para que a relação sexual ocorra, mesmo em mulheres com ciclos menstruais irregulares.

A relação sexual programada pode ser realizada por até seis ciclos, embora na maioria dos casos a gravidez ocorra antes. As taxas de gravidez são semelhantes às da gestação natural: cerca de 20% em cada ciclo de realização, mas essa taxa também depende de outros fatores, como causa da infertilidade e idade da paciente.

Existe algum risco na realização da relação sexual programada?

Ao mesmo tempo que é considerada simples, a relação sexual programada também é um procedimento de baixo risco.

Os principais estão associados ao uso de medicamentos hormonais e incluem:

Gestação gemelar: embora muitas vezes a gestação múltipla seja desejada pelos pais, a gestação gemelar é uma condição potencialmente perigosa para as mães e para os fetos e pode causar complicações como pré-eclâmpsia, parto prematuro ou recém-nascidos com baixo peso ou natimortos.

Síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO): a produção excessiva de hormônios pelos ovários aumenta o risco para o desenvolvimento de SHO, que, embora seja atualmente controlada pelo acompanhamento clínico e laboratorial, pode resultar em alterações metabólicas ou em problemas de maior gravidade, como a trombose venosa profunda (TVP), principalmente nas pernas, torção ovariana ou perda da gestação. Nos tratamentos de coito programado, é extremamente raro.

Gostou? Compartilhe essa página:

Deixe aqui o seu comentário: