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Dr. Alexandre Lobel
Dr. Alexandre Lobel

Adenomiose

por Alexandre Lobel

Da mesma forma que a endometriose, a adenomiose tem como característica o crescimento de um tecido semelhante ao endométrio.

No entanto, ele se desenvolve no miométrio, camada muscular do útero, provocando a formação de pequenas bolsas que podem causar o aumento do fluxo menstrual e cólicas severas ou mesmo sangramento entre períodos.

Apesar de ser uma doença crônica, a adenomiose é benigna e pode interferir na fertilidade. Em geral, os sintomas podem ser controlados, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente.

Por outro lado, como a endometriose e os miomas uterinos são patologias dependentes de estrogênio, têm a tendência de diminuir com a idade.

Este texto explica diversas características da adenomiose, como as causas que provocam o desenvolvimento do tecido ectópico anormal, sintomas que indicam a necessidade de procurar auxílio médico, métodos diagnósticos, tratamento e a possibilidade de ela interferir com a fertilidade.

Quais são as causas da adenomiose?

A etiologia da adenomiose ainda permanece desconhecida, embora a primeira descrição da condição tenha sido feita ainda em 1860, pelo patologista alemão Carl von Rokitansky, inicialmente denominada ‘adenomioma’.

Algumas teorias posteriores surgiram para explicar o desenvolvimento anormal do tecido endometrial ectópico. Elas propõem que as células do endométrio podem ser depositadas no miométrio ainda no início da formação fetal ou invadir a camada muscular uterina como resultado de uma inflamação no endométrio e de cirurgias.

Recentemente, outra teoria propôs que as células-tronco da medula óssea também podem invadir o miométrio e causar adenomiose.

Alguns fatores são apontados como de risco para o desenvolvimento do tecido ectópico no miométrio, entre eles estão o avanço da idade e a multiparidade. Mesmo que possa afetar mulheres de diferentes idades, a adenomiose tem maior incidência acima dos 40 anos em mulheres que tiveram mais de uma gravidez.

Estudos explicam que a gravidez pode facilitar a formação de adenomiose, permitindo a infiltração de focos no miométrio pela natureza invasiva do trofoblasto na extensão das fibras miometriais. Além disso, o ambiente hormonal da gravidez pode favorecer o desenvolvimento de ilhas de endométrio ectópico, uma vez que ele tende a ter uma proporção maior de receptores estrogênicos.

Em muitos casos, a adenomiose é assimétrica e ocorre predominantemente na parede posterior do útero. No entanto, pode ser focal, quando um ou vários focos estão localizados em diferentes pontos, ou difusa, nos casos em que muitos focos se espalham pelo miométrio.

Sintomas provocados pela adenomiose

O tecido ectópico, da mesma forma que o endométrio (tecido normal que reveste a cavidade uterina), reage aos hormônios produzidos pelos ovários. Por isso, também pode sangrar durante a menstruação, aumentando o fluxo menstrual e causando cólicas severas.

O sangramento pode ser prologando e muitas vezes ocorrer entre os períodos menstruais. Pressão abdominal e inchaço também são comuns, assim como dor durante as relações sexuais.

Se os sintomas ocorrerem por mais de dois ciclos consecutivos, é importante procurar auxílio médico. Mesmo sendo mais prevalente em mulheres acima dos 40 anos, a adenomiose pode afetar mulheres mais jovens, em idade reprodutiva. Quanto mais precocemente é diagnosticada, maiores são as chances de o tratamento ser bem-sucedido.

Nessa fase, existem evidências que comprovem sua interferência na fertilidade. Algumas pesquisas sugerem que ela pode causar uma disfunção na zona juncional, limite entre o endométrio e o miométrio, dificultando a implantação do embrião.

A hipermobilidade uterina, condição que interfere no transporte do espermatozoide, dos óvulos fecundados e desenvolvimento da placenta, está ainda entre as possíveis consequência de infertilidade por adenomiose.

Como a adenomiose é diagnosticada?

Por ser confundida com outras condições, como endometriose, miomas uterinos e pólipos uterinos, e muitas vezes estar associada a elas, o diagnóstico de adenomiose é baseado em uma boa história clínica e exames de imagem detalhados. Porém, em alguns casos, o diagnóstico só acontece na retirada do útero.

Em alguns casos, entretanto, é possível a detecção do tecido ectópico quando ele ainda não invadiu o miométrio.

Entre os exames realizados, os mais comuns são a ultrassonografia transvaginal, a ressonância magnética e a vídeo-histeroscopia ambulatorial.

Embora a ultrassonografia transvaginal possibilite a detecção das bolsas que se formam no miométrio, elas podem ser facilmente confundidas com miomas uterinos.

A ressonância magnética (RM), por outro lado, proporciona uma avaliação mais detalhada do miométrio, aumentando as chances de estabelecer uma análise mais criteriosa das lesões apontadas pela ultrassonografia, ao mesmo tempo que confirma a exclusão de outras condições.

A coleta de amostras do miométrio também pode ser realizada durante o procedimento de vídeo-histeroscopia. A análise das células da camada muscular uterina permite o diagnóstico de adenomiose em um percentual significativo de casos, contribuindo bastante para a indicação terapêutica.

O diagnóstico definitivo, entretanto, é apenas possível quando há remoção do útero, quando uma análise mais criteriosa pode ser realizada.

Quais tratamentos são indicados para adenomiose?

Por ser uma doença crônica, o tratamento tem como objetivo o controle dos sintomas e é indicado de acordo com a gravidade e interferência deles na qualidade de vida das mulheres. Pode ser farmacológico ou realizado por procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos.

Mulheres que apresentam uma sintomatologia mais leve são geralmente tratadas por medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Eles proporcionam o alívio da dor e controlam a inflamação provocada pelo tecido ectópico.

Quando a adenomiose causa aumento do fluxo menstrual, sangramento entre períodos e cólicas severas, são indicados medicamentos hormonais, como os contraceptivos hormonais.

Os inibidores de aromatase diminuem os níveis de estrogênio e os análogos de GnRH, os de estrogênio e progesterona, facilitando a redução das bolsas que se formaram e, consequentemente, dos sintomas provocados por elas. Porém, são medicações com diversos efeitos colaterais, por isso não são utilizados habitualmente.

Nos casos em que a terapia hormonal não soluciona os sintomas mais graves, a indicação passa a ser cirúrgica. O tratamento prevê a ablação endometrial, processo que elimina o tecido ectópico. Atualmente, a ablação é feita por vídeo-histeroscopia cirúrgica, que, além de ser minimamente invasiva, permite a destruição do tecido ectópico, mas pode causar danos ao útero. É bastante eficaz se a adenomiose não tiver penetrado profundamente no miométrio.

A embolização da artéria uterina (EAU) pode ser indicada como alternativa para pacientes que não querem ou não podem ser submetidas a cirurgia. Uma substância esclerosante é injetada por um cateter para obstruir o fluxo sanguíneo, interrompendo o suprimento de sangue e causando o encolhimento das bolsas formadas.

Porém, uma solução permanente para os sintomas de adenomiose só é possível a partir da remoção total do útero, procedimento conhecido como histerectomia.

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